9 de nov de 2009

Os pintinhos bárbaros

Eles estão por todos os lados como numa invasão bárbara de filme americano preenchendo espaços que seriam muito melhores vazios. Porque você há de convir comigo que é melhor vazio do que cheio de uma massa mole e que não vira pão gostoso nem na paulada nem no sol ardido. Eles se acham incríveis quando aumentam em suas listinhas ridículas o número de mulheres que seduziram, que beijaram ou - chamem do que quiserem isso que eu chamo de carência global - whatever. Mesmo que eu não deva chamar isso de sedução porque para seduzir é preciso muita inteligência e uma ginga que eu conheço em meia dúzia se tanto. Eles são quase sempre iguais e dos seus lados esquerdos têm sempre o jogador de polo da marca que a gente já está esgotada de ver enfeitando os peitos cabeludinhos dessa raça estranha que domina o mundo a cada balada nova aberta. E o mais intrigante é a capacidade de multiplicação da raça sem que seja necessário alimentar nem jogar água depois da meia noite. E a percepção deles - que é tão aguçada quanto minha vontade de esmurrá-los - é sempre tão ruim que quando eles mais acham que estão arrasando a estrutura, eles estão na realidade enrolando as línguas de bêbados  porque não podem suportar a falta de macheza que os mantém em pé na sobriedade dos fatos e as fazendo optar, muitas vezes, pela diversão solitária, charmosa e independente. Eles comentam que fulana isso, que beltrana melhor no quesito pouca compostura e que ciclana fica mais legal de boca fechada porque tem um bafo horroroso de alho frito com cebola murcha.  Durante muito tempo eles foram chamados de galinhas e canalhas. Hoje eles são chamados de. Sei lá de quê. Imbecis talvez. Ou idiotas quem sabe. Mas para mim eles são mesmo é um bando de pintinhos amarelos e magricelos sem importância alguma e suportáveis pelo tempo da tonteira de um gole de absinto mais fraco para não morrer disso. Eles ainda não perceberam que elas transcenderam de um jeito inimaginável até bem pouco tempo atrás e que tudo isso aí virou fachada de favela. Elas nem ligam mais se eles não pedem o telefone. E eles entendem que elas não deram o telefone porque não pediram. Elas já preferem que seja em suas casas que é para nem precisar dizer tchau quando vier o sono. E eles se acham malandros pois foram embora de fininho porque era mais fácil com ela dormindo. Eles é que viraram assunto de roda enquanto quem dá a volta quase sempre são elas.

E até que os jumentos potenciais percebam que a mudança de comportamento não é porque eles ditaram, fica assim então. Quando não é na casa delas elas se vestem com pressa e vão embora de táxi porque no fundo no fundo  eles é que se transformaram em criaturas completamente desinteressantes e inseguras demais para quase todas. O que, na realidade nua e crua, é ótimo porque assim os raros interessantes são potencializados à máxima e se tornam ainda bem melhores florindo nosso Universo medíocre e tão sempre cheio desses pintinhos amarelinhos que cabem aqui nas nossas mãos.

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