23 de mai de 2010

Acabou, turma.

Acabou aqui, turma. Eu precisava de espaço mais organizado, com uma cara que me desse mais vontade e tal. Nada muda, só o endereço. Mas quero acreditar que lá seremos mais felizes juntos porque vem cheio de novidades quentinhas. Tá tudo transitando numa velocidade maluca mas tudo sempre é assim comigo.

O site está no ar e em franca construção, mas está valendo. Em breve vocês saberão sobre livro, nome e tudo. Logo que a turma da Novitas deixar eu falo.

Ei, fui feliz horrores com vocês aqui. E espero vocês por lá se não, não vai ter a mesma graça.
http://www.taticavalcanti.com.br/
 
Beijos
tatu.

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20 de mai de 2010

Só outro texto.

Eu queria sair dali correndo para enfim encontrar a vida depois de uma bifurcação estranha e sem sinalização, que me deu medo e me deixou balançar quando não havia onde cair. Mas tudo que eu consegui foi descobrir que aquilo era um beco. E becos nunca têm saída.

Eu queria sacanagem quando ele falava de amor e tudo que ele me dava era mais e mais e amor. Eu queria mais literatura do mundo e o mundo só ficava burro de um jeito oco, que me nauseava a alma. Mas ele e mão quente dele faziam tudo derreter.

Eu queria ser abduzida por extraterrestres inteligentes e só o que eu conseguia era ser tomada imensamente por uma paixão burra e absolutamente surda.  Eu queria que ele dissesse “vai” e ele repetia “vem”. Eu queria que ele dissesse “vem” e aí, só para me ver reagir, ele dizia “vai”. E eu morria insegura.  

Eu queria gritar para o mundo saber que, apesar de tudo, eu respirava e de vez em quando, até me arriscava a pensar. Mas tudo que eu consegui foi que o mundo não me ouvisse e me culpasse pela voz baixa.
Eu queria ser uma criatura mais branca e mais sem vida para passar despercebida. E tudo que eu conseguia era ser mais rara no jeito de amar que doía, despedaçava e musicava a vida de um jeito mais gostoso e acelerado. Eu queria ser culpada e tudo que eu fazia era ser inocente de um jeito sem vergonha. Eu queria ser forte e tudo que eu conseguia era ser mais frágil que uma boneca de porcelana cara, bem cara e de olhos verdinhos.
Eu queria ter a coragem que eu falava que tinha, mas tudo que eu conseguia era ficar ainda mais e mais covarde porque, sentir daquela forma, era tão maluco quanto meu jeito tosco de achar que, amando, o mundo é bem mais bonitinho.
Eu queria morrer de tristeza e tudo que matava era uma felicidade varzeana.
Eu queria bem menos e para nunca mais.
E tudo que eu conseguia era querer mais e mais e para sempre.

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14 de mai de 2010

Só ali.

Naquele segundo era um foda-se do tamanho do Universo. Era um “ei, mundo, pode morrer à vontade” gigante, o maior do mundo. Ela só queria ir adiante sem tanto peso para carregar, sem tanta coisa para lembrar enquanto tentava esquecer que o mundo gira e sem parar. No meio da pilha de roupa para lavar, uma história esquecida. E dentro da geladeira, uma congelada. Era dane-se tudo, era utópico, era E.T. Naquela utopia a única verdade de tudo era a vontade tão grande quanto o foda-se.

Água quente cura. Noite de sono acalma. Rivotril 5 miligramas relaxa, mas não distrai. Distrair é uma federal. Era ilusão de Mr. M, brincadeira idiota daquelas que a gente só acredita quando é feto. Naquele segundo era banho de jato bem forte para passar aquela coisa dura que era ficar vazia só para poder ser artista e ter que me desculpar por isso. Mesmo que o vazio fosse raro, que o amor fosse imenso, mesmo que a paixão resistisse, mesmo que o relógio fosse auto didata. Era tempo nublado. Garoa chata. Que nem dá charme, nem dá folga. No máximo azia e vontade de chorar.

Era só naquele segundo o enorme colo do mundo. O mais quentinho, o mais gostoso. Era só ali, que não dava mais para fugir de tudo em direção ao nada. Era só um monte de vontade que não tinha por onde, nem para onde, nem razão de ser. Era só um braço que parecia ser o abraço mais seguro e blindado da face da Terra. Mais uma velinha no bolo, só mais um carinho no coração. Era só uma energia e outra e outra fragilidade, para não ter que ser forte e ideal o tempo inteiro.

Era um foda-se do tamanho do coração de Deus, da confusão do humano. Era só a casa dela, mesmo com a cozinha fria, mesmo com a cortina meio empoeirada apesar de tanto choro. Era só ali, num casulo, onde talvez alguma lembrança de bem cedo levasse a angustia de querer o mundo e ganhar o bairro. Só ali, só daquele jeito. Só com aquelas pessoas. Só naquelas horas, só naquela ausência de repertório, que ela podia ser a mulher mais feia e a mais bonita do mundo.

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11 de mai de 2010

Para ele.

Um dia ele chega em casa dizendo milhares de bobagens para a paixão persistir um pouco mais e para vida ficar mais colorida. E para a rotina que chega toda noite, sair de fininho e bem pequena diante da nossa imensidão. Duas noites depois, quando ele me sente gelada de frio, ele me enrosca na perna dele que é sempre quente, para o mundo poder continuar girando sem eu precisar de mais ninguém. Muito menos do mundo todo. Ele deixou o cavanhaque crescer depois que sugeri que achava vagabundo e charmoso. Como se nada mais existisse a não ser eu e o cavanhaque dele. Ele não tem nada de vagabundo, nem o torto do nariz, mas ele tem um charme tão absurdo que é por isso que eu morro e morro e morro de ciume dele.

Quando eu acho que acabou a minha graça e que outra perna vai caber no vão da perna dele, ele me vem com uma flor e um sorriso lindo. E me mata num amor gostoso e cheio de excessos. E empurra o carrinho de feira reclamando só um pouquinho que é para não perder a caracteristica mais importante do sexo masculino: reclamar das tarefas domésticas. E faz tudo mais fácil no seu otimismo quase infantil, na sua cumplicidade monstra e no seu jeito tranquilo de dormir. E faz tudo mais adolescente quando vem se chegando, na frente da câmera, na garagem com as mil mãos que ele tem. Como se nada mais importasse a não ser a loucura dele por mim.
Quase toda tarde de sábado ele me leva para um sushi. E quase toda tarde de sábado a gente morre de ser feliz comendo sushi e comentando a dificuldade das pessoas com o hashi. A gente sai sem saber para onde, quase toda vez que a gente sai. Sempre com a sensação que, só com a gente, a gente não precisa nem de um lugar.

Quase toda noite quando estou trabalhando, nas horas em que boa parte dos humanos dormem, ele me vem com a companhia dele, me cheirando o vão da orelha. Porque ele gosta de me fascinar mesmo quando eu só quero ser prática e casada há quase sete anos. Ele vem sempre com o interesse pelos meus momentos sem ele, pelos meus ex amores, as histórias passadas, pelas minhas emoções. Porque mesmo quando ele não entende, ele faz que entende só para me fazer feliz. Porque ele é de uma paz que me emociona, de uma grandeza que me assusta e de um tom safado que eu piro mesmo fingindo que eu não tô nem aí. Mas eu sempre tô aí. Até quando eu não tô. Uma vez por semana ele vem com uma bala, um sonho de valsa, uma frase de efeito diferente.

Eu tenho muita vontade de dizer para ele que eu adoro quando ele vem me pegando, me obrigando, me esmagando. Mas eu não digo porque senão fica tudo muito fácil. Ele que descubra sozinho.

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