22/12/2009
E se ?
E se eu não quisesse mais nunca mais desatar esses milhares de nós? E se fosse de maria mole ao invés de menta? E se tocar o foda-se fosse a solução para tudo que a gente não sabe resolver de outro jeito? E se eu pudesse não chorar mais e nem dizer mais as verdades que cutucam tanto? E se o mundo realmente acabasse hoje o que eu diria? E se eu mudasse a nossa música para ver se reanima do infarto que prejudicou esse nosso miocárdio quase fatalmente? E se fosse reciclável, eu reciclaria na lata do vidro ou do papel? E se fosse para sempre acabaria a agonia? Ou eu encontraria outra e outra agonia só para morrer sempre e ver todo mundo chorando a minha perda? E se o azul virasse vermelho e você não visse mais nenhuma cor? E se você pudesse dizer alguma coisa o que diria? E se pudesse escolher ser alguém quem seria? E se pudesse evitar alguma coisa o que evitaria? E se eu fosse um pato de banheira? E se o cachorro miasse? E se vaca voasse? Chuva de piranha? E se ontem pudesse ser repetido você faria tudo de novo sem tirar nem por? E se eu soubesse engolir? E se eu aprendesse a cuspir? E se eu treinasse mais todas essas posições? E se você me traísse? Retomaríamos de onde paramos? E se sua pinta nas costas não fosse exatamente onde ela é? E se a gente dançasse pelo menos uma vez depois de tantas coisas? E se eu molhasse meu jeans novo e caríssimo andando na beira da praia? E se eu não pudesse dizer com textos o que eu também não posso dizer com a boca? E se eu quisesse dizer as últimas verdades?
E se você não me amasse assim, com esse osso do ombro saltado? E se eu subisse menos nas paredes? E se a gente cantasse nossa trilha para espantar os mau humores?
E se fosse só por hoje?
Seria diferente?
