11 de mai de 2010

Para ele.

Um dia ele chega em casa dizendo milhares de bobagens para a paixão persistir um pouco mais e para vida ficar mais colorida. E para a rotina que chega toda noite, sair de fininho e bem pequena diante da nossa imensidão. Duas noites depois, quando ele me sente gelada de frio, ele me enrosca na perna dele que é sempre quente, para o mundo poder continuar girando sem eu precisar de mais ninguém. Muito menos do mundo todo. Ele deixou o cavanhaque crescer depois que sugeri que achava vagabundo e charmoso. Como se nada mais existisse a não ser eu e o cavanhaque dele. Ele não tem nada de vagabundo, nem o torto do nariz, mas ele tem um charme tão absurdo que é por isso que eu morro e morro e morro de ciume dele.

Quando eu acho que acabou a minha graça e que outra perna vai caber no vão da perna dele, ele me vem com uma flor e um sorriso lindo. E me mata num amor gostoso e cheio de excessos. E empurra o carrinho de feira reclamando só um pouquinho que é para não perder a caracteristica mais importante do sexo masculino: reclamar das tarefas domésticas. E faz tudo mais fácil no seu otimismo quase infantil, na sua cumplicidade monstra e no seu jeito tranquilo de dormir. E faz tudo mais adolescente quando vem se chegando, na frente da câmera, na garagem com as mil mãos que ele tem. Como se nada mais importasse a não ser a loucura dele por mim.
Quase toda tarde de sábado ele me leva para um sushi. E quase toda tarde de sábado a gente morre de ser feliz comendo sushi e comentando a dificuldade das pessoas com o hashi. A gente sai sem saber para onde, quase toda vez que a gente sai. Sempre com a sensação que, só com a gente, a gente não precisa nem de um lugar.

Quase toda noite quando estou trabalhando, nas horas em que boa parte dos humanos dormem, ele me vem com a companhia dele, me cheirando o vão da orelha. Porque ele gosta de me fascinar mesmo quando eu só quero ser prática e casada há quase sete anos. Ele vem sempre com o interesse pelos meus momentos sem ele, pelos meus ex amores, as histórias passadas, pelas minhas emoções. Porque mesmo quando ele não entende, ele faz que entende só para me fazer feliz. Porque ele é de uma paz que me emociona, de uma grandeza que me assusta e de um tom safado que eu piro mesmo fingindo que eu não tô nem aí. Mas eu sempre tô aí. Até quando eu não tô. Uma vez por semana ele vem com uma bala, um sonho de valsa, uma frase de efeito diferente.

Eu tenho muita vontade de dizer para ele que eu adoro quando ele vem me pegando, me obrigando, me esmagando. Mas eu não digo porque senão fica tudo muito fácil. Ele que descubra sozinho.

2 Comentários:

josé disse...

Que delícia de texto, dá vontade de romancear! rs

beijos
José.

11 de maio de 2010 17:46
ratz disse...

Esse tá lindo moree, adorei!
Bjs bem daqueless,
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17 de maio de 2010 10:54