6 de ago de 2009

Sobre morrer para não sentir.

Eu aqui querendo lamber os dedos e enfiá-los na tomada e tomar um choque indiscritível só para parar de sentir isso que sinto cada vez que você chega na minha casa e bagunça tudo tirando até as minhas almofadas indianas do lugar. A sua capacidade de me fazer camaleoa, de mudar para te agradar, de te querer o resto da vida é incrível. ... ... Eu tô pensando que se o choque for muito forte eu posso morrer e não sei se quero morrer. Eu quero mesmo do fundo da minha alma é parar de sentir para que as coisas fiquem em seus devidos lugares como estiveram até aqui e agora. Meu diabinho diz que sim e meu anjo diz que não. Diz não para tudo que é confusão e você é confusão na certa, é abalo imediato, é febre de alucinar e confundir. Pare de dar tantas voltas ao meu redor porque eu tô ficando tonta e tonta eu cometo as piores e as melhores bobagens da vida. Será que vai doer muito? Vai doer menos do que isso que eu sinto e que faz meus órgãos não obedecerem aos comandos mais básicos como a minha vontade de mijar, cagar e arrotar tudo que vem de você e das suas extensões. Eu acredito no meu anjo e idolatro meu diabo. Mão na tomada ou sentir até esgoelar? Mão na tomada porque vai doer e passar? Se não morrer do choque? Morrerei de amor, de falta de ar, de necessidade. Morreu de que? De tanto precisar. Eu quero da luz da minha alma cheia de boas intenções parar de sentir que é para ver se sobrevivo na multidão que me sapateia a cabeça enquanto busco você com meus grandes olhos pretos sem sucesso algum porque você nunca está e nunca esteve. Morreu de que? Pisoteada. Depois de morrer de necessidade ter que morrer pisoteada é foda. Com PH e dois D(s). Coragem, não vai doer. Basta molhar os dois dedos, enfiar com tudo e com força na tomadinha da cozinha e rezar para tudo isso passar junto com a descarga elétrica que estou planejando desde às 3 da manhã daquela madrugada quando, depois de tantas promessas, você saiu e não voltou. Eu gosto do anjo mas tenho um pacto com o diabo. E tudo que vem do diabo arde demais, tosta demais e dói demais. Eu sinto as consequências dessa piração irracível que me leva sempre para tantos lugares sem que eu levante minha bunda dessa cadeira dura onde escrevo tantos textos enquanto olho para tomada e decido se morro ou se só sinto dor.
Eu só não quero que você vá pro inferno que é para não ter que te encontrar por lá e sentir tudo de novo. Essa sua mania de degustar meus miolos em tão pequenas porções me tira do sério ao mesmo tempo em que colore minha vida e minha arte. ... ... Estou achando que meu dedo não vai entrar nessa tomada porque o buraco dela é tão pequeno quanto a minha razão urrando que nada disso importa e que tudo vale a pena. Morreu de que? De tentar e frustar. De passar uma vida querendo e outra vida resistindo. Eu tô a fim de escutar o anjo que hoje tá tão bonitinho de harpa na mão. Mas o diabo é foda, tem um ritmo mais latino. O diabo é você com todo esse discurso mais ou menos de quem agoniza de vontade, caga de medo e finje que administra. Então façamos assim. Eu fico com o anjo e você passa o resto dos seus dias aí, sentado em cima do saco nessa cadeira confortável enquanto eu já não morro de vontade só para fingir que não tô nem aí para você inteiro ou em partes. Enquanto você continua cagando todos os seus medos, eu continuo aqui, linda e gostosa dançando e celebrando a vida. Morreu de que? Morreu de amor mas pelo menos morreu dançando.

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