13 de out de 2009

Maldito bode!

Esse bode do mundo quando preenche infla e quando infla dói porque meu sangue fica com pouco espaço para correr e tudo necrosa uma necrose rápida como todas as coisas da vida que acabam, esgotam ou inflam. Esse bode do mundo que acha a coisa mais incrível do mundo o Brasil sediar uma Olimpíadas. O Brasil tá fodido para sediar Olimpíadas, quem vai pagar essa conta somos nós e o brasileiro ainda faz festa na Paulista e em Copacabana! Eu tenho bode do Lula e do seu choro copioso, eu tenho bode de Carnaval num país onde não há esgoto para os ratos e para todas as merdas que eles fazem e que fedem no nosso nariz. Esse bode me acaba porque eu fico com preguiça de abrir o olho só de pensar no tanto de gente tosca e idiota com quem eu esbarro todos os dias de toda a minha vida. Esse bode dá sono, dá sede, dá fome e mesmo que eu durma morta, beba litros e coma até sair pelos poros, não passa nunca porque eu quero mesmo é fugir de tudo que é tão estupidamente óbvio e normal. Eu odeio tanto básicos e óbvios que de vez em quando leio o dicionário. Esse bode do mundo, desses assuntos chatos de crise, de falta de educação e de ENEM. ENEM me dá vontade de gumitar porque vomitar é pouco por saber que nosso País vai sediar uma Olimpíadas sem conseguir aplicar um exame.
Eu tenho bode infernal de pessoas que se inscrevem no twitter e protegem suas páginas, eu tenho bode de gente que fala demais, que canta alto e de gente muito feliz. Eu morro uma morte súbita de bode das cotas para negros e o bode só aumenta quando a notícia é sobre o Theo Becker indicado para homem do ano. Eu tenho bode do MST arrombando tudo em nome de uma ideologia estúpida pautada na violência dos seus atos. Eu tenho bode de jornais e revistas com as mesmas bundas lisas e sem celulites e com todos os peitos mais duros da face da terra. Quero a Mama Bruschetta na capa de uma revista sensual com um charuto no canto da boca. Eu quero gente lendo poema no metrô, arte na rua, música no supermercado popular. Bossa nova na balada, lança perfume para cheirar, educação para favela. Qualquer coisa que não seja óbvia. Qualquer coisa que não seja tudo isso. Todo esse monte de merda que compõem o meu bode do mundo, que faz tudo feder e que me deixa desesperada querendo fugir. Fugir para longe, onde a originalidade sirva de remédio para todas as minhas feridas abertas por culpa do maldito bode.

1 Comentários:

Carla Martins disse...

Estamos no meio da semana, ae!!!

Boa quarta! Beijinhos!

14 de outubro de 2009 10:04