23 de fev de 2010

Eu queria um texto incrível.

Eu queria escrever um texto agressivo esbravejando a minha ira e meu mau humor quando eu descubro isso que me cutuca tão fundo me arrancando as tripas pela garganta. Que para você tanto faz, que porra nenhuma para você é bom também e que eu sou um adereço com movimentos e sentimentos quase perfeitos e até que bem humanos. E que assistir eu me esgoelar por um pouco mais te faz continuar brincando de estátua. Você é sempre tão melhor na brincadeira da estátua!
Eu queria vomitar uma lauda que abarrotasse o espaço para esvaziar o bode que estou de mim, em não sair maluca no meio dessa chuva só para lavar a alma e começar de novo lá do comecinho. E molhada que é para entrar ou sair mais fácil. Para ver se você percebe que eu fui, que eu me despedi, que eu morri esturricada na posição de moita e para sair dela só com guincho, grua e um balde de gelo, por favor. 

Eu queria ter cagado sem abrir nem dois centímetros de mim, um texto incrível que me fizesse feliz e auto confiante o suficiente para esquecer que tem horas que quero que a gente morra abraçado que é para você não arrumar outra e eu não dispersar muito com o primeiro neon que piscar na minha testa.
Eu queria materializar um texto que me fizesse olhar para dentro de mim com uma força imensa para jogar tudo para cima e gritar muito alto que eu gosto de mim, porra, e que isso basta. Ou deveria. 
Eu queria mesmo era botar para fora que nem ovo pela cloaca para poder repassar todas as grandes coisas e esquecer que as pequenas podem se manifestar num sábado de manhã nublada.  Eu queria jogar pro Universo e levitar esse vazio que diz que parece que acabou, mesmo não tendo acabado. 
Um texto para tirar com a mão essa bola de pêlos entalada no meu tubo digestivo sensível que só aceita mesmo caviar com champagne. Eu odeio batata doce, meu bem. 
Eu queria um texto para lembrar que o melhor é pular em cima de você e fazer as pazes outra e outra vez. E quantas outras vezes forem necessárias para eu também não esquecer que, ser feliz aos sábados, é bem mais normal do que às quartas.

Mas o texto não saiu nem pela cloaca nem pela garganta, tampouco por qualquer outro buraco que você possa imaginar. E eu até agora não consegui decidir se te agarro ou se te mato para, em seguida, morrer de saudade desses sábados nublados e quase frios. 

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