17 de fev de 2010

Segredo de Estado.

Cara, você descobriu mesmo, é isso?
É isso. Você já sabe de tudo e eu não sei como. Aliás, como é que você faz para descobrir tudo hein?! Eu não vejo explicação plausível para você ter descoberto e nunca nunca em tempo algum vou aceitar e poder conviver com uma coisa que mexe tanto comigo. Mexe de verdade, de dentro para fora, tipo segredo de Estado! Eu passei muito tempo da minha vida me domesticando para tratar isso com aquela naturalidade de quem sempre tem alguma coisa para esconder mas ao mesmo tempo tem o perfil blasé para fazer aquela cara de “oi, é comigo”?
Eu quase sempre explodia num riso interno violento e quente, eu quase sempre me sufocava numa agonia interna, eu quase sempre morria de um grito que não podia sair porque senão denunciava e eu nunca poderia me admitir tão frágil e ruim de auto controle. Como sempre eu morrendo. Como sempre eu tentando. Como sempre eu fingindo. Eu sempre fingi porque sempre acreditei que se você soubesse, porra. Eu nunca soube o que ia ser de mim se você descobrisse. Porque é foda. É anestésico, é inenarrável, transcende, é estupendo demais para os reles e miseráveis humaninhos  com suas visões de merda, restritas e limitadas daqueles que adoram uma bosta enlatada americana qualquer.
É um monte de palavra misturada e aí eu fico assim, sem saber explicar. E sem poder entender como é que você descobriu o meu grande segredo. Esse que todo mundo tem mas com o qual eu sempre tomei o maior cuidado. Porque segredo é segredo, não é para descobrir! E eu nunca te dei nenhuma pista porque achei que sabia ignorar assim como fiz com tantas coisas e tantas pessoas que se foram nessa vida sem sequer imaginar que eu tinha um segredo.
Cara, eu sei que você sabe e é complexo saber que você sabe. Quando é sobre esse segredo o negócio pega para mim porque aí eu tenho que ficar me dizendo o tempo inteiro como sou forte e como sou durona e como sou bem resolvida e como para continuar sendo assim, você não poderia ter descoberto, porra.  É colocar em risco minha edificação safada e sem vergonha de gesso misturado com umas outras coisinhas podres que fui catando em ferros velhos enquanto aprendia com meus exs amores que se doar demais é tampar a razão, é sufocar a consciência que eu busco pela vida toda, por uma vida melhor ou sei lá para que exatamente.
Esse segredo eu tenho desde que comecei a entender sobre algumas coisas quase secretas na fase imatura, mas nunca quis dividir com ninguém porque toda vez que eu fui frágil eu me arrebentei numa valeta funda e esburacada. E por lá fiquei soterrada. Soterrada  no meu próprio segredo. Segredo que você desvendou, que você arrebentou, que você esgarçou num golpe mortal e único tipo voadora.
Quem mandou você pegar nesse meu ossinho da bacia com essa mão grande, hã? Eu derreto inteira e você faz de mim sempre o que bem entende. Mesmo que não entenda de quase nada nessa vida.
Aí, com essa mãozona tosca no ossinho, put´s!
Você me ganha de um jeito, meu amor que só a gente sabe.
Porque eu sei que você sabe.