11 de jun de 2009

Domingos babacas em família.

Eu nunca tive vocação pra muitas coisas. Mas uma delas em especial é que eu nunca fui muito agregadora. Afinal de contas, saí cedo de casa prá me deparar com a realidade do mundo lá fora. Mas eu não era de agregar pessoas na minha casa, é isso que quero dizer. E sempre achei meio babaca aquela coisa de mães aflitas para saber de suas crias quando suas crias tinham passado dos 18 anos. Sempre achei meio over aquelas famílias enoooormes almoçando domingo na casa da avó. E todo mundo berrando, falando alto, divergindo. Esse cenário sempre me pareceu obrigação. As pessoas têm que estar juntas, têm que almoçar e brigar todo domingo enquanto o sol brilha lindo e clarinho no Ibirapuera. E os protocolos nunca me agradaram assim como tudo que era obrigação. Eu sempre fui rebelde demais prá tudo isso. Diria minha mãe que eu sempre andei na contramão das coisas da vida. Desde sempre. Diria ela também que eu sou intensa demais e talvez over demais pros 30 anos que já chegaram faz tempo.

Agora, enquanto escrevo esse texto o Matheus está gargalhando alto com meu sogro. Minha sogra tá fazendo biquinho de avó prá Bia enquanto grita prá nós mesmos sobre o quanto a netinha dela é linda, e a boquinha desenhada e o cabelinho e liso e blá blá blá. E simultaneamente a Dani grita do outro lado da sala pro Matheus prestar atenção no que está fazendo e que se não prestar vai cair e quebrar a cachola. E a Cida vem tirando os pratos do almoço enquanto pousa sob a mesa uma bandeja linda com toalha de rendinha com o café quentinho. E tem mousse de chocolate e torta de limão. Ah, tem sorvete também. E o Alê pede a pimenta pro Renato que bate o braço na avó que estava passando com a cachorra pro outro lado. Uma confusão serenamente familiar.

E o Matheus faz pirraça enquanto a Bia abre os pulmões e o bocão. E choram ao mesmo tempo e deixam os avós desesperados na dúvida sobre quem socorrer primeiro. E a Dani que detesta confusão emburra e grita com todos nós que estamos muitos tons acima. E a Cida tem que fazer outro café e colocar uns biscotinhos naquela charmosa bandeja porque agora já é hora do lanche e ainda estamos aqui, cheios de energia prá gastar com o Matheus, cheios de argumentos sobre as notícias do JN e cheias de vida esperando o Raj aparecer na TV e encher nossos olhos cansados de brilho. Cai a tardinha e é hora de ir. Olho em volta, as pessoas ainda discutem. Ainda tentam se entender e chegar num consenso sobre qual dialeto falar neste domingo. Ainda que seja assim, bem torto e bem alto eu não mais seria tão cheia de vida...

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