7 de jul de 2009

Ela só quer só pensa em namorar.

Ela é linda. Rica, elegante e bom papo. Ele tem 42. Tipo sarado descolado mas nem tanto assim.
Ela quer casar e ter filhos. Ele já tem um do primeiro casamento, bem antes de ele se apaixonar por ela. Mas dessas coisas do acaso eles se conheceram num restaurante com centenas de pessoas como testemunhas nem tão oculares assim. E o romance engatou lindo e solto. Ele sempre disponível mas nem tanto quanto ela gostaria. E ela sempre tão disponível prá ele que dava até dó. Ela toda pronta para viver uma relação madura e ele tão disposto a viver uma relação carnal. Mas isso ninguém pode negar. Como a cama é boa. Puro tesão, sacanagens mil.

E ela toda vem vem vem e ele todo vai vai vai.
Ela planejando o tamanho da varanda que vai querer para suas orquídeas e ele planejando em qual motel eles vão esta noite. É que ela sempre quer tanto que fica cega. Um tantão assim, manhê. E assim a vida a dois segue. Ele sempre de pau duro e ela sempre de coração aberto e despencando de amor. Para dar e receber.

E aí um dia os planos se chocam e tudo vira cerveja choca. Aquela que não desce, que nem com sede dá pra encarar porque cerveja choca, meu bem, é demais para mim. Porque ela não ouviu, mas eu avisei, e avisei muitas vezes. É para isso que servem as amigas, para avisar e para aguentar depois. Bem dolor. E ela chora chora chora. Todo domingo ela chora. Nas terças ela frequenta a academia. E nas segundas ela se recupera do choro do domingo. E quarta é rodízio do carro dela então ela mal sai de casa. Quintas e sextas ela chora às vezes, dependendo do que está passando na TV. E ele segue com a vida sexual dele ativa. Porque a agenda de contatos é grande e a mulherada reclama mas tá fácil demais. É só dizer meia dúzia de coisas desconexas e sem sentido que elas acham eles alternativos. E os alternativos estão na moda. Os alternativos que têm dinheiro, claro.

E eu sigo dizendo que enquanto ela quiser tanto o dedo podre é que vai escolher. Escolher não. Aceitar. E ela segue fingindo que não me ouve porque afinal, com 30 anos ela achou que estaria na casa de praia esperando o marido rico e cuidando das babás dos filhos. E com a vida ganha prá pelo menos sete gerações. Mas não foi exatamente o que aconteceu. E o pavor de solidão ensurdece. A possibilidade de ter que tricotar sozinha na terceira idade deleta todo seu repertório amoroso. Emburrece.

E ela como centenas de outras buscam tanto que não acham. Porque o mais legal do amor é que ele aconteça. E enquanto ele bate todas as punhetas do mundo ela se vira com um rivotril aqui, outro prozac ali para aguentar o tranco de outro e outro e outro fora. Melhor agora do que mais tarde. Amor não se pede, meu bem. Amor se ama. Amor tem que ir e vir, meu amor. Porque amar sozinho é o cacete. Mole.

Qualquer amor solitário é muito pior do que a solidão natural. Até porque, meu bem, a solidão vem carregada de uma dignidade absoluta. Pode acreditar.

1 Comentários:

Rita de Cassia disse...

Talvez ela precise deixar de sonhar e passar viver. Estar com o coração aberto, não significa obsessão por um sentimento que ela não viveu...
Ela planeja uma vida confortavel,com um Homem bonito e no amor,isto nem sempre é uma equação perfeita..
Não exite Homem Ideal baseado na construção exata da nossa racionalização.
Todo Principe vira Sapo, e viceversa ..

7 de julho de 2009 14:11